O diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino Santos, afirmou à Polícia Federal (PF) que o Banco Master possuía somente R$ 4 milhões em caixa antes de ter a liquidação decretada pela autarquia, em novembro do ano passado.
Aquino prestou depoimento à PF e a representantes da Procuradoria-Geral da República (PGR) no dia 30 de dezembro de 2025, no âmbito do inquérito que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF) e investiga suspeitas de fraudes envolvendo a instituição financeira.
Segundo o diretor do BC, o Banco Master era classificado como uma instituição de médio porte, com aproximadamente R$ 80 bilhões em títulos de crédito. De acordo com ele, bancos desse porte costumam manter entre R$ 3 bilhões e R$ 4 bilhões em títulos livres para negociação, indicador que reflete a liquidez do sistema financeiro. No entanto, a realidade do Master era bem diferente, com apenas R$ 4 milhões disponíveis em caixa.
"Para pontuar isso claramente, um banco de R$ 80 bilhões [em ativos] tem liquidez de R$ 3 bilhões, R$ 4 bilhões em títulos livres. O Master, antes da liquidação, tinha R$ 4 milhões em caixa", afirmou.
Durante o depoimento, Aquino também mencionou dificuldades financeiras enfrentadas pelo Will Bank, outra instituição vinculada ao Banco Master e que igualmente acabou liquidada. Conforme relatou, os problemas estavam relacionados à incapacidade de honrar pagamentos, em meio a uma grave crise de liquidez.
"Estava com muita dificuldade o pagamento. O acompanhamento era por causa de crise de liquidez, se fechava ou não fechava o caixa", disse.
As investigações sobre as fraudes no Banco Master estão sob a relatoria do ministro Dias Toffoli, no STF. Em dezembro do ano passado, o ministro determinou que o caso permanecesse na Corte, e não fosse remetido à Justiça Federal em Brasília, em razão da citação de um deputado federal nas apurações. Parlamentares possuem foro por prerrogativa de função no Supremo.
Em novembro de 2025, o banqueiro Daniel Vorcaro e outros investigados foram alvos da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal para apurar a concessão de créditos fraudulentos pelo Banco Master. A investigação também envolve a tentativa de venda da instituição ao Banco Regional de Brasília (BRB), banco público ligado ao governo do Distrito Federal.
Conforme apurado, o volume de fraudes investigadas pode alcançar R$ 17 bilhões.




