Agosto marca o começo da temporada mais crítica para o aparecimento de escorpiões, impulsionado pelas altas temperaturas e pela umidade característica do período. Neste ano, porém, o cenário já demonstra agravamento: duas crianças de apenas 8 anos morreram, em menos de uma semana, após serem picadas pelo animal peçonhento no interior do Estado.

Além das mortes recentes, os dados acumulados desde janeiro de 2024 até julho de 2025 são alarmantes: foram 8.528 notificações de acidentes com escorpiões em Mato Grosso do Sul. Deste total, 9,6% das vítimas eram crianças com menos de 10 anos. E, entre os casos considerados graves, elas representam 60%.

A Secretaria de Estado de Saúde (SES) aponta que, nos últimos cinco anos, os registros vêm crescendo de forma contínua. Ainda segundo o órgão, é comum que escorpiões e outros animais peçonhentos surjam com mais frequência entre agosto e janeiro, período que exige maior vigilância da população.

Por que os escorpiões preocupam?

O risco causado pelos escorpiões está ligado às suas características naturais: são pequenos, discretos e conseguem se esconder em diversos pontos — especialmente dentro das casas. Além disso, são perigosos, e atualmente não existe veneno capaz de exterminá-los por completo.

A SES enfatiza que a erradicação total é inviável, mas que medidas simples podem reduzir significativamente o risco de acidentes. A principal estratégia é a prevenção, aliada à informação e aos cuidados diários.

Medidas preventivas recomendadas

Confira as orientações da Secretaria de Saúde para evitar o aparecimento e ataques de escorpiões:

Mantenha camas afastadas das paredes;

Evite deixar cobertores ou roupas de cama encostando no chão;

Sempre verifique lençóis, roupas, sapatos e tapetes antes de usá-los;

Tampe bem os ralos e cubra pias e tanques após o uso;

Elimine entulhos e materiais que possam servir de abrigo;

Faça o controle de baratas — principal fonte de alimento dos escorpiões — com dedetizações a cada 3 a 6 meses.

Ambientes frequentados por crianças devem receber atenção redobrada: manter o local limpo, livre de bagunça e sob inspeção regular são práticas essenciais para evitar surpresas perigosas.

Como agir em caso de picada?

Em situações de picada, é fundamental agir com rapidez e cautela:

Lave a área atingida com água e sabão;

Dirija-se imediatamente à unidade de saúde mais próxima;

Não use torniquetes, não aplique substâncias caseiras e evite sugar o veneno.

Entre os sintomas mais comuns estão dor intensa, sudorese, vômitos, tremores e, em casos mais graves, insuficiência cardíaca congestiva.

Como eliminar ou capturar o animal?

Caso encontre um escorpião, a recomendação é eliminá-lo com segurança: utilize um objeto rígido e de haste longa para evitar contato direto. Golpear o animal é mais eficaz do que o uso de inseticidas, que geralmente não surtem efeito, já que os escorpiões são resistentes a produtos químicos.

Após o extermínio, a Coordenadoria de Controle de Zoonoses (CCZ) orienta os moradores a registrarem o animal em foto e enviarem à central, para identificação da espécie. Outra opção é armazenar o escorpião em recipiente com álcool e entregá-lo diretamente à CCZ.

Canais de orientação e atendimento

Em caso de dúvidas ou necessidade de orientação, o Centro de Informação e Assistência Toxicológica (Ciatox) atende por meio dos números:
📞 (67) 3386-8655 | 0800-722-6001 | 150.

A CCZ também realiza vistorias em locais com suspeita de infestação e está disponível pelos telefones:
📱 (67) 2020-1796 (também WhatsApp)
📞 (67) 2020-1802 | (67) 3313-5000.