O presidente boliviano, Luis Arce, anunciou na segunda-feira (9) que as forças de segurança do país estão mobilizadas para localizar Sérgio Luiz de Freitas Filho, apontado como líder da facção criminosa PCC. Arce afirmou que pedirá ajuda ao Brasil para realizar uma investigação conjunta e conter a atuação do grupo em território boliviano.

Em entrevista coletiva na Casa Grande del Pueblo, transmitida on-line, Arce declarou: “Não existe evidência de que haja cartéis em nosso país. Trata-se de emissários que vêm permanentemente promover o negócio criminoso. Houve instrução para que o Ministério de Governo investigue e troque informações com a Polícia Federal do Brasil, graças à boa relação com o presidente Lula.”

O Ministério Público boliviano confirmou que não há processo criminal aberto contra Sérgio Luiz ou contra o nome falso que ele teria usado, Sérgio Noronha Filho, nem foi emitido pedido de extradição pelo STF. A Interpol boliviana mantém alerta de prisão preventiva desde 4 de julho, com comunicação a todos os departamentos policiais e setores migratórios. Segundo o promotor-geral Roger Mariaca Montenegro, não há registro de entrada ou saída de Sérgio Luiz na Bolívia, e informações adicionais estão sendo solicitadas à Interpol Brasil.

Apesar das notificações, a fronteira entre Brasil e Bolívia em Corumbá funciona com fluxo contínuo. A fiscalização é feita pela Polícia Federal em horário comercial, pela Polícia Militar e por auditores da Receita Federal em regime 24 horas, mas de forma amostral, com cerca de mil veículos transitando diariamente. Entre fevereiro e julho deste ano, ações conjuntas de órgãos brasileiros fecharam trilhas clandestinas e apreenderam equipamentos usados para driblar a fiscalização.

Na Bolívia, apenas um posto policial funciona regularmente na Rodovia Bioceânica, na fronteira, enquanto ao longo dos 600 km até Santa Cruz de la Sierra não há fiscalização contínua. Entre janeiro do ano passado e setembro deste ano, autoridades brasileiras e bolivianas expulsaram do país vários integrantes do PCC, incluindo líderes como Marcos Roberto de Almeida (Tuta), que estava na lista vermelha da Interpol desde 2020.