Nesta segunda-feira (4), aproximadamente 155 mil estudantes das redes Municipal e Estadual de Educação retornaram às atividades escolares, iniciando o segundo bimestre do ano letivo de 2025. Após o período de recesso, o desafio para muitos será retomar a disciplina e, sobretudo, se adaptar à restrição do uso de celulares dentro das instituições de ensino — uma medida agora respaldada por lei federal.

Na Escola Municipal Oliva Enciso, localizada no bairro Tiradentes, em Campo Grande, a transição tem ocorrido de forma tranquila. Segundo o diretor Vilmar Balbuena, a preparação anterior foi essencial para que a nova regra não causasse turbulência entre os alunos.

“A escola vinha fazendo um trabalho muito grande de conscientização sobre o uso do celular. Então, para nós, não teve grandes problemas. Talvez um aluno ou outro que chegava vindo de outra escola, entretanto, conversávamos, pois a escola tem um bom diálogo com os alunos. Não tivemos problemas com indisciplina”, descreve.

Celular longe, aprendizado mais próximo

Para muitos pais, a volta à rotina escolar representa também um alívio diante dos desafios de limitar o tempo que os filhos passam em frente às telas. A diarista Flávia Gomes, mãe de duas crianças matriculadas na escola — de 5 e 12 anos — afirma ter sentido essa mudança no ambiente familiar.

“É muito difícil controlar o tempo de telas. Sei que ficam jogando no celular, mas é muito corrido [para supervisionar]. Por exemplo, preciso trabalhar, ir ao mercado, limpar a casa, cuidar deles, levar ao parque, ir para a academia. Então, na escola aprendem. Eles já não traziam o celular para a escola antes [da proibição], mas todo tempo livre querem o celular”, diz.

Ela ressalta ainda que o ambiente escolar tem sido fundamental para o amadurecimento dos filhos, não apenas pelos conteúdos ensinados, mas também pela convivência social longe das distrações digitais.

Confiança na estrutura escolar

No primeiro dia pós-férias, Rafaela Pereira Rodrigues acompanhou as filhas de 7 e 9 anos até a escola. Para ela, o retorno representa mais do que apenas o fim das férias — é também a retomada de uma rotina segura e organizada, que traz tranquilidade para quem precisa conciliar o trabalho com os cuidados com os filhos.

“Conheço a escola e sei que é muito tranquila e organizada. A [filha] mais velha ainda está em ritmo de férias e a mais nova animada. É muito importante voltar à rotina, principalmente para a gente que trabalha”, relata.

Rafaela afirma, inclusive, que ainda não pretende entregar um celular às filhas.

“Acho elas muito pequenas. Então, essa proibição do uso de celular não impactou”.

Acolhimento e preparação

Com mais de 1,2 mil alunos matriculados, a Escola Oliva Enciso reforçou a recepção para receber a comunidade escolar. De acordo com o diretor, a equipe se mobilizou durante o recesso para garantir um ambiente acolhedor e bem estruturado para o segundo semestre.

“Nesses 15 dias de férias, a gente se organizou para finalizar o trabalho, como uma limpeza reforçada e o acolhimento. A escola participa da avaliação Saeb (Sistema de Avaliação da Educação Básica), onde os professores estão estudando. Essa escola oferta uma educação de qualidade para a região, para alunos de 4 aos 16 anos”.

Além dos preparativos técnicos, o retorno foi marcado também por ações lúdicas: personagens fantasiados deram as boas-vindas aos pequenos, reforçando o vínculo entre aprendizado e afeto — um dos pilares da educação promovida pela unidade.