O ministro da Educação, Camilo Santana, reiterou neste domingo (23) que o Enem 2025 segue mantido e dentro do cronograma. Segundo ele, as duas versões do gabarito já foram disponibilizadas e o resultado final será publicado em janeiro de 2026. “O Enem é um patrimônio do Brasil”, afirmou.

A declaração ocorre em meio à polêmica envolvendo a investigação sobre o uso de itens de pré-testes na prova deste ano. O presidente do Inep, Manuel Palácios, também se pronunciou ao Fantástico, assegurando que não há qualquer risco técnico para o exame. “Não existe a menor possibilidade de um item memorizado comprometer a segurança do Enem”, disse.

Mesmo reforçando que a antecipação de questões não trouxe prejuízo aos participantes, Palácios confirmou que o instituto solicitou à Polícia Federal a abertura de inquérito. “Há aparentemente um movimento articulado para tentar afetar o Enem. Precisamos entender o que está ocorrendo”, afirmou.

A investigação ganhou corpo na manhã de domingo, quando agentes da PF realizaram busca e apreensão na residência de Edcley Teixeira, no Ceará. Computadores, celulares e documentos foram recolhidos para análise.

Especialistas apontam que parte do problema está no Banco Nacional de Itens (BNI), que abastece não só o Enem como outras avaliações educacionais. Há anos, o banco é criticado pela falta de volume adequado de questões. Maria Helena Castro, ex-presidente do Inep, explica: “Se houvesse um acervo mais robusto, de cerca de 100 mil itens, a necessidade de pré-testes seria muito menor e o risco de repetição, reduzido”.

Palácios afirmou ainda que eventuais atualizações no formato do exame precisam ocorrer com prudência, destacando o impacto do Enem na vida de milhões de estudantes. Segundo ele, o órgão trabalha para modernizar procedimentos e reforçar práticas de segurança.

O que diz o estudante

Em entrevista ao Fantástico, o estudante de medicina Edcley Teixeira negou que soubesse que determinadas questões iriam aparecer na prova do Enem. Ele classificou as coincidências como “similaridades pontuais”.

Edcley reconheceu, porém, que as perguntas posteriormente anuladas estavam presentes no Prêmio Capes Talento Universitário, concurso promovido pelo MEC em 2024 do qual participou. Segundo ele, alguns padrões do exame lembravam os do Enem, o que o levou a suspeitar que poderia se tratar de um pré-teste.

Os pré-testes, explica o Inep, servem para validar questões que futuramente podem compor o exame. Eles são aplicados principalmente a alunos do terceiro ano do ensino médio. O instituto confirmou que o prêmio funciona, de fato, como uma espécie de laboratório para calibrar itens.

A reportagem do Fantástico também revelou que Edcley pagava participantes dessas provas para decorar perguntas. Ele pedia, em mensagens, detalhes de até dez itens. Questionado sobre o método, o estudante afirmou não enxergar irregularidade: “Não havia termo de compromisso, sigilo, nada. Nem edital”.