Campo Grande se prepara para encerrar, oficialmente, a oferta de ensino médio na Reme (Rede Municipal de Ensino) a partir de 2026. A decisão está relacionada à mudança de gestão da Escola Municipal Agrícola Arnaldo Estevão de Figueiredo, localizada na MS-040, que passará a ser administrada pelo Governo de Mato Grosso do Sul.

Atualmente, a unidade é a única da Capital a oferecer o ensino médio. Fundada há quatro décadas, a Escola Agrícola se consolidou como referência na formação técnica e na educação voltada ao meio rural, oferecendo aos alunos a possibilidade de concluir os estudos com certificação profissional.

Em Campo Grande, a rede estadual conta com 70 escolas, enquanto a municipal mantém 205 unidades ativas.

Mudança de gestão e seus efeitos

Com a transição, a SED (Secretaria de Estado de Educação) assumirá as turmas do 1º ao 3º ano do ensino médio, até então sob responsabilidade da Prefeitura. O processo atende a uma solicitação do próprio município, que busca adequar a oferta de ensino às competências definidas pela Constituição. Apesar de não haver previsão de mudanças estruturais no prédio, a alteração deve impactar o quadro de professores, que poderá ser redistribuído para outras escolas da Reme.

“Informamos que a gestão do município procurou o Governo do Estado, em especial a Secretaria de Estado de Educação, solicitando apoio para que sejam assumidas as turmas de ensino médio da referida unidade escolar”, informou a SED em nota.

Segundo o órgão estadual, as tratativas ainda estão em andamento entre as secretarias, mas as atividades seguirão sendo realizadas no mesmo local, sem prejuízos logísticos aos estudantes.

Debate sobre responsabilidades e impactos

Para o presidente da ACP (Sindicato Campo-Grandense dos Profissionais da Educação Pública), Gilvano Bronzoni, a decisão precisa ser analisada com cautela. Ele reforça que o sindicato é defensor da educação pública em todos os níveis, mas lembra que a Constituição estabelece responsabilidades distintas para municípios e estados.

“Essa divisão impacta diretamente financiamento, estrutura e gestão. A ACP defende uma escola pública de qualidade e valorizada, com atuação articulada entre as esferas de governo para garantir avanços reais para a categoria e, sobretudo, para a população”, afirmou.

O dirigente também citou o artigo 211 da Constituição Federal, que define a prioridade dos municípios na educação infantil e fundamental, enquanto cabe aos estados e ao Distrito Federal o ensino fundamental e médio.

Bronzoni informou ainda que solicitou uma reunião com a Semed (Secretaria Municipal de Educação) para discutir o tema e buscar alternativas que mantenham o modelo pedagógico da Escola Agrícola. “Queremos preservar o modelo pedagógico e os serviços oferecidos hoje”, enfatizou.