Na reta final de estudos para o Enem (Exame Nacional do Ensino Médio), o clima é de muita concentração por parte dos alunos que aproveitam esses últimos dias para tirar dúvidas em sala de aula e revisar os conteúdos considerados os mais desafiadores, como a redação e ciências exatas. Enfrentando uma corrida contra o tempo, os estudantes não escondem o nervosismo para a primeira etapa da prova que será aplicada no domingo (03), em todo País.
Em Mato Grosso do Sul, 51.199 estudantes estão inscritos no Enem, que no domingo traz 45 questões de linguagens, 45 questões de ciências humanas e redação. Já no dia 10 de novembro é a vez das ciências exatas e ciências da natureza.
Professor de redação no Colégio Nota 10, Cadu Silva comenta que nessa semana o foco é trabalhar as principais dúvidas dos estudantes. “Vamos abordar as questões que são relevantes para o texto, os exercícios que estão faltando,as últimas dicas de redação e o que precisa ser feito neste domingo. É uma semana que estamos nos dedicando às matérias de humanas”, explica.
Nesta segunda-feira (28), o professor estava repassando para as turmas, que unem o 3º ano do Ensino Médio e cursinho pré-vestibular, os possíveis temas de redação que podem cair no domingo. “Nos últimos anos o que mais caiu foram dois eixos temáticos: Sociedade e comportamento. Desde 2011 foram pelo menos seis temas ligados a eles e nos últimos quatro anos, três temas foram sobre direito, leis, regras e o que elas têm a ver com a questão comportamental da sociedade”, fala.
Além desse momento de reforçar conteúdo e dar as últimas dicas, Cadu destaca que o trabalho também envolve tranquilizar aqueles que vão prestar o Enem. “É hora de tranquilizar os alunos, é tão importante quanto os outros trabalhos. É hora de trazer o acolhimento, acalmar os alunos”, completa.
Ana Júlia da Silva Lima, de 18 anos, está no cursinho pré-vestibular com a expectativa de passar em Medicina. Desde o começo do ano, a rotina de estudos tem sido um processo difícil para a jovem que relata sentir um pouco de nervosismo às vésperas do Enem.
“Eu estou nervosa, mas ao mesmo tempo eu sinto o dever cumprido e isso me conforta bastante. Claro, não é garantia de que vai ser esse ano porque o curso que eu quero é difícil, muita competindo, mas a minha parte eu fiz”, fala.
Com preferência pela área de biologia, ela está usando o tempo que falta para revisar física e matemática. “São as matérias que os alunos têm mais dificuldade e são as que fazem a diferença porque a linguagem geralmente é mais fácil e as pessoas vão melhor. A medicina é justamente isso, é fazer o diferencial porque é o que vai garantir a vaga”, diz.
No cursinho pré-vestibular do Colégio Refferencial, as cabines de estudos estavam cheias. Sofia Araújo, de 20 anos, também quer garantir uma vaga no curso de Medicina. A estratégia dela é rever o que caiu nos anos anteriores do Enem.
“Como agora é a reta final, a gente dá uma voltada nas questões antigas do próprio Enem porque aí temos uma noção de como é cobrado. Porque acaba que não dá tempo de revisar vários assuntos”, afirma.
Coordenador do cursinho Refferencial, Edilson Soares da Silveira conta que na reta final para o Enem é comum os alunos terem mais foco. Nesta semana, a concentração da turma está voltada para ciências humanas e linguagens, que são as áreas de conhecimento que marcam a primeira fase.
Para auxiliar os alunos, o professor de biologia e os demais do cursinho têm passado bastante exercícios e revisões desde o começo deste mês. A instituição também recorre aos aulões, sendo o primeiro nesta sexta que será para repassar o conteúdo de humanas e linguagens e na próxima é a vez de ciências da natureza e exatas.
Segundo o coordenador, essas duas últimas áreas de conhecimento, somadas à questão do tempo para fazer a prova, estão entre as principais dificuldades dos vestibulandos. “Você não pode ficar muito tempo em uma questão porque isso vai impactar nas demais que ainda estão por ver. Então, o aluno tem uma média de três minutos e meio por questão. Quando entra nessa parte de ciência da natureza e matemática, o tempo é imprescindível, além do conhecimento. O aluno tem que treinar muito exercícios para correr contra o tempo”, esclarece.
No Colégio Adventista os aulões também fazem parte dos preparativos para o Enem uma vez por trimestre. Coordenadora geral do Ensino Médio na escola, Nádia Teixeira da Silva fala sobre o suporte oferecido nesse formato de aula.
“O aulão traz muito isso, as dicas de como me comportar nesse momento do ENEM, dicas de uma forma geral que vão contemplar ali a questão de administração de tempo, como desenvolver melhor a redação, então a gente vai dando essas possibilidades, essas retomadas com o aluno”, frisa.
Desde o começo do ano, os professores têm acompanhado os alunos que também têm a opção de participar de forma paralela do cursinho preparatório da instituição. A coordenadora explica que o material vai de acordo com o modelo seguido pelo vestibular.
“Tem um material que é complementar ao ensino médio para o primeiro, segundo e terceiro que é o ‘Maratona do ENEM’. É um caderno de treino, de exercícios, especificamente, porque uma das grandes questões quando a gente fala de vestibular é a necessidade que há de se treinar para aquele modelo de prova”, declara.
Cursinho online - Com 200 alunos inscritos no Projeto “De olho no futuro”, que é desenvolvido de forma gratuita por graduandos da UFMS, o professor Marcos Vinicius Alves dos Santos, de 22 anos, conta que nas últimas quatro semanas cresceu o número de inscritos no cursinho.
“Nessa reta final está sendo top demais, tivemos uma adesão maior de alunos. A animação e as expectativas deles para a prova são ótimas. Estão bem confiantes no resultado para esses dois finais de semana”, afirma.
A área de exatas, segundo o professor, é a que mais tem atraído os alunos. “Creio que a maior parte de dificuldade deles é em razão à matemática, é nas funções em especial trigonometria, exponenciais e logarítmicas, além de algumas outros conteúdos que existem dentro da disciplina”, cita.
A aluna do 3º ano do Ensino Médio, Julia Victoria, de 17 anos, é uma das participantes da iniciativa. A jovem começou a estudar para o Enem em julho deste ano e tem dividido o tempo entre os estudos e as tarefas de casa.
Com interesse em ingressar no curso de Engenharia Civil, Júlia conta que está confiante. “Se ficar nervosa, acaba atrapalhando tudo, né? Então eu tento manter o controle. Obviamente treinando muita redação”, destaca.
Para garantir uma boa nota na redação, a estudante procurou ver os temas anteriores. “Eu pesquisei sobre os anos anteriores dos temas de redação e tentando também lembrar sobre os fatos dos dias de hoje, mas sempre por volta da realidade, sabe? Até então eu estudei sobre a fome e miséria no Brasil (que inclusive é um tema polêmico), estudei sobre a saúde pública, segurança, acessos limitados pela população mais desfavorecidas”, completa.
Crédito: Campo Grande News por Jéssica Fernandes




