O Banco Central confirmou nesta quinta-feira (24) que houve um acesso indevido a dados de 46,89 milhões de chaves PIX por meio do Sisbajud — sistema de busca de ativos operado em conjunto com o Conselho Nacional de Justiça (CNJ). As informações comprometidas referem-se a dados cadastrais, como nome, CPF, instituição financeira, número da conta, entre outros.
Na véspera, o CNJ já havia divulgado que o incidente afetou cerca de 11.003.398 pessoas. De acordo com o Banco Central, a diferença entre o número de chaves e de indivíduos se deve ao fato de que cada pessoa pode registrar múltiplas chaves PIX — como telefone, e-mail ou CPF.
“Dados cadastrais vinculados a 46.893.242 chaves Pix: nome do usuário, CPF, instituição de relacionamento, agência, número e tipo da conta, chave Pix, situação da chave Pix, data de criação da chave Pix e data de exclusão da chave Pix”, informou o BC.
Ainda segundo os dois órgãos, não houve comprometimento de dados sensíveis, como senhas, saldos bancários, extratos ou outras informações protegidas por sigilo financeiro. Os dados expostos são exclusivamente de cunho cadastral.
Em nota oficial, o Banco Central destacou que o vazamento não possibilita transações financeiras, tampouco dá acesso a contas ou a dados sigilosos. O CNJ informou que a falha foi prontamente identificada e corrigida, permitindo a retomada do funcionamento normal do sistema após a aplicação de medidas de segurança adicionais.
A Polícia Federal e a Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) já foram notificadas formalmente sobre o incidente.
📌 Riscos e orientações aos usuários
Embora os dados vazados não possibilitem movimentações financeiras diretas, a exposição pode facilitar a prática de fraudes e golpes, conforme alerta o CNJ. Por isso, os cidadãos devem manter atenção redobrada quanto a mensagens suspeitas, ligações e tentativas de contato que possam ter relação com o vazamento.
O Conselho reforçou que não realiza comunicações por SMS, e-mail ou telefone, e que será criado um canal oficial no site do CNJ para que os cidadãos verifiquem se foram afetados.
O caso acontece em um momento de intensificação do debate sobre privacidade e segurança da informação no país, especialmente após a entrada em vigor da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). Conforme estabelece o artigo 48 da LGPD, qualquer incidente que represente risco ou dano relevante aos titulares de dados deve ser informado pelos responsáveis de forma clara e imediata.



