Um relatório elaborado pela Diretoria Econômico-Financeira (Diefi) da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos aponta que a estatal passou a enfrentar, nos últimos anos, um “ciclo vicioso de prejuízos”, marcado pela deterioração do desempenho operacional e pela perda de receitas.
O documento indica que a piora na performance foi determinante para a sequência de resultados negativos registrada nos últimos trimestres. De acordo com a diretora Loiane de Carvalho Bezerra de Macedo, o enfraquecimento da operação comprometeu diretamente a capacidade financeira da empresa.
"Formou-se, assim, um ciclo vicioso de perda de clientes e receitas, decorrente da baixa qualidade operacional, que reduziu progressivamente a geração de caixa necessária para regularizar as obrigações dos Correios", afirmou a diretora Loiane de Carvalho Bezerra de Macedo.
"As negociações com grandes clientes — responsáveis por mais de 50% da receita de vendas — tornaram-se cada vez mais sensíveis, comprometendo acordos e frustrando expectativas de resultado", completou a diretora.
O relatório revela que, até setembro de 2025, a estatal acumulava R$ 3,7 bilhões em valores não pagos a fornecedores, empregados e em tributos. O texto destaca ainda que o ponto mais crítico para a sustentabilidade da empresa é a insuficiência de caixa.
"Não se trata apenas de um problema financeiro momentâneo. É um sinal de que o modelo atual opera entre no limite entre obrigação legal, pressão competitiva e capacidade real de geração de valor", apontou o documento.
Entre janeiro e setembro de 2025, as entradas de caixa somaram R$ 16,94 bilhões, ante R$ 18,37 bilhões no mesmo intervalo de 2024 — uma retração de R$ 3,23 bilhões, equivalente a 17,6%. No mesmo período, as saídas passaram de R$ 20,65 bilhões para R$ 16,68 bilhões.
"As entradas de caixa nos nove primeiros meses de 2025 totalizaram R$ 16,94 bilhões, frente aos R$ 18,37 bilhões registrados no mesmo período de 2024. As saídas, por sua vez, atingiram R$ 16,68 bilhões, contra R$ 20,65 bilhões observados no mesmo período do ano anterior", apontou o relatório.
Diante do cenário, a empresa buscou reforço financeiro no mercado e contratou R$ 13,8 bilhões em empréstimos ao longo de 2025. Contudo, a maior parte desses recursos ingressou no caixa apenas em 30 de dezembro, o que limitou o impacto imediato sobre o fluxo financeiro do período analisado.
Projeções
O mesmo documento traz estimativas atualizadas para os próximos resultados. A expectativa é encerrar 2025 com prejuízo de R$ 5,8 bilhões — valor inferior ao rombo acumulado até setembro, que já alcançava R$ 6 bilhões.
Para 2026, a diretoria projeta um déficit ainda maior, estimado em R$ 9,1 bilhões.
“Executando o pagamento de todas as obrigações (despesas correntes) incluídas no Programa vigente de Dispêndios Globais, havia a projeção de déficit na ordem de R$ 7,9 bilhões em dezembro de 2025, posteriormente reajustada para R$ 5,8 bilhões; e déficit de R$ 9,1 bilhões em dezembro de 2026”, arremata o documento.



