Os consumidores de Mato Grosso do Sul ampliaram sua capacidade de pagamento nos últimos anos, mas, ao mesmo tempo, o número de inadimplentes também continua em alta.
De acordo com levantamento recente, em 2022 o valor médio disponível para quitação de dívidas no Estado era de R$ 914,00, passando para R$ 988,00 em 2023, subindo para R$ 1.095,00 em 2024 e alcançando R$ 1.123,00 neste ano. O crescimento de 22,8% em apenas três anos supera a correção do salário mínimo e se mantém próximo à média regional.
No comparativo, a média nacional evoluiu de R$ 728,00 em 2022 para R$ 968,00 em 2025, enquanto o Centro-Oeste saltou de R$ 981,00 para R$ 1.218,00 no mesmo período. Esse desempenho coloca Mato Grosso do Sul entre os Estados com maior fôlego para novos financiamentos e renegociações.
“A capacidade de pagamento e o comprometimento de renda são variáveis interligadas e impactadas pela economia, como mencionado. Quanto mais informação uma empresa tem, mais precisa e menos arriscada se torna a tomada de decisão. Esse é o nosso objetivo: oferecer ao mercado cada vez mais informações precisas, que trazem transparência e segurança nos processos de concessão de crédito, além de ampliar o acesso ao crédito para o consumidor”, destaca Mônaco.
Apesar do avanço, o levantamento revela que famílias de renda mais baixa permanecem sob maior pressão. Entre aqueles que recebem até um salário mínimo, o comprometimento da renda chega a 90,1%, restando em média apenas R$ 120,00 como capacidade de pagamento.
Inadimplência cresce e atinge um terço da população adulta
Conforme já antecipado pelo Correio do Estado, o número de inadimplentes em Mato Grosso do Sul segue em crescimento. Dados da Serasa Experian mostram que o Estado encerrou o primeiro semestre de 2025 com 1.196.534 pessoas com restrições no CPF, contra 1.129.829 no fim de 2024 — um avanço de 6%, o que representa mais de 66,7 mil novos registros em apenas seis meses.
No total, os sul-mato-grossenses acumulam 5.148.260 dívidas em aberto, que somam R$ 8,39 bilhões. O valor equivale a um ticket médio de R$ 7.013,41 por inadimplente e de R$ 1.630,02 por dívida. Hoje, mais de um terço da população adulta do Estado convive com contas atrasadas.
Segundo o economista Eduardo Matos, o problema também está ligado à forma como o crédito é disponibilizado no país.
“Um acesso mais facilitado a instrumentos de crédito de alto risco, como os cartões de crédito e limite do cheque especial, se tornam armas na mão do cidadão brasileiro. Porque, a partir do momento em que ele tem à sua disposição esse tipo de crédito, ele usará e, em muitos casos, até mesmo sem pensar ou [vai] interpretá-lo como uma extensão de sua renda, o que não é verdade”, afirma.
O mestre em Economia Eugênio Pavão reforça que a inadimplência pesa ainda mais sobre quem tem renda mínima.
“Os salários não dão conta dos pagamentos das necessidades básicas, mesmo com o aperto monetário, o salário mínimo não contempla as necessidades básicas”, avalia.



