Mato Grosso do Sul soma R$ 1,05 bilhão em exportações sujeitas a tarifas já aplicadas ou sob risco de novas taxações impostas pelos Estados Unidos, aponta levantamento da Agência de Promoção das Exportações (Apex Brasil), vinculada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.

O estudo identificou seis produtos sul-mato-grossenses altamente dependentes do mercado norte-americano. Apenas em 2024, as vendas externas desses itens movimentaram US$ 198,5 milhões, o equivalente a aproximadamente R$ 1,05 bilhão. Entre eles estão ferro fundido, sebo bovino, couro, carne bovina salgada (em salmoura ou defumada), gorduras e óleos animais, além de ovos (in natura ou em pó).

A maior parte do sebo bovino e da carne salgada tem como destino os Estados Unidos, configurando uma dependência total. O sebo é matéria-prima importante para os segmentos químico e de cosméticos, enquanto as carnes salgadas abastecem a indústria alimentícia processada. Somente neste ano, as exportações para o mercado norte-americano somaram US$ 46,1 milhões em sebo bovino e US$ 9,8 milhões em carne salgada. As gorduras animais também são enviadas exclusivamente para os EUA, com faturamento de US$ 4,9 milhões.

O ferro fundido é outro produto em destaque: das exportações totais de US$ 132 milhões, US$ 123 milhões tiveram como destino os Estados Unidos. Já o couro bovino, dos US$ 20,9 milhões exportados pelo Estado, US$ 10,3 milhões foram comprados pelos norte-americanos. No caso dos ovos, as vendas para o país chegaram a US$ 3,5 milhões, de um total de US$ 3,9 milhões exportados.

Apesar da dependência, alguns setores buscam alternativas. Para a carne bovina e seus derivados, já incide uma tarifa de 50%, mas destinos como México e China têm absorvido parte da produção antes direcionada ao mercado norte-americano. O ferro fundido, por sua vez, foi poupado da segunda rodada de sobretaxação em agosto, quando poderia ter sofrido um acréscimo de 40% nas tarifas. Por ora, o produto paga apenas a tarifa de 10% instituída em abril, mas segue sujeito a regras específicas e a um possível regime de cotas imposto por Washington.

A Apex Brasil recomenda diversificação dos destinos para reduzir riscos. Entre os mercados potenciais estão Canadá, Sérvia e Malásia (para o sebo bovino); Bélgica, Chile e México (para gorduras animais); China, Polônia e Alemanha (para couro); e França, Suíça e Eslovênia (para carne salgada).

Mesmo diante das barreiras, as exportações sul-mato-grossenses seguem em expansão. De janeiro a agosto deste ano, o Estado exportou US$ 7,3 bilhões, frente a importações de US$ 1,7 bilhão, garantindo superávit de US$ 5,6 bilhões.

A China continua como principal parceira comercial, absorvendo 46,8% das vendas externas de Mato Grosso do Sul, o que representa US$ 3,4 bilhões no período. Apesar dos obstáculos, os Estados Unidos permanecem em segundo lugar, com US$ 396,5 milhões em negociações e participação de 5,4%. Em seguida aparecem Itália (3,9%), Argentina (3,5%) e Holanda (3,4%).

A pauta de exportações do Estado é liderada pela celulose, que responde por 30% (US$ 2,2 bilhões) do total. Logo depois vem a soja, com 27,3% (US$ 2 bilhões), e a carne bovina, responsável por 15,1% (US$ 1,1 bilhão) das vendas internacionais.