A Intenção de Consumo das Famílias (ICF) em Campo Grande alcançou, em fevereiro, o melhor desempenho dos últimos dez meses. O índice chegou a 109,2 pontos — maior nível desde abril do ano passado — e avançou 2% na comparação com janeiro.
O resultado foi puxado, principalmente, pelas famílias com renda superior a 10 salários mínimos (acima de R$ 16.210), que atingiram 122,6 pontos. Já entre aquelas com renda de até 10 salários mínimos, o indicador ficou em 106,5 pontos.
Levantada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) e analisada pelo Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento da Fecomércio MS (IPF/MS), a pesquisa mostra que o índice permanece acima da linha dos 100 pontos, considerada zona de satisfação. Apesar disso, os dados evidenciam diferenças importantes entre as faixas de renda.
De acordo com o estudo, 64,3% das famílias com ganhos superiores a 10 salários mínimos afirmam estar mais seguras em relação ao emprego na comparação com o mesmo período do ano passado. Além disso, 45,9% avaliam que a renda melhorou nos últimos 12 meses. Entre as famílias com renda de até R$ 16.210, os percentuais são menores: 49,9% relatam maior segurança no trabalho e 35,1% percebem melhora na renda.
O acesso ao crédito também revela desigualdade. Entre as famílias de maior renda, 23,5% consideram que está mais fácil obter crédito, enquanto nas de menor renda esse índice é de 16%. Já a percepção de dificuldade atinge 13,3% do grupo com maior poder aquisitivo — menos da metade dos 28,7% registrados entre as famílias de renda mais baixa.
Consumo em alta entre quem ganha mais
O levantamento aponta ainda que 28,6% das famílias de maior renda afirmam estar consumindo mais em relação a 2025. No grupo de menor renda, esse percentual é de 20,5%. A redução nas compras foi mencionada por 23,5% dos lares com rendimentos mais elevados, contra 32,7% entre aqueles que recebem até R$ 16.210.
Quando o assunto é expectativa, 35,7% das famílias com renda superior a 10 salários mínimos acreditam que vão ampliar o consumo em relação ao ano anterior. Entre as de menor renda, 28,3% projetam aumento, enquanto 28,9% preveem retração.
A pesquisa também mostra que cerca de metade das famílias de maior renda considera este um bom momento para adquirir bens duráveis. No grupo de menor renda, 41,4% compartilham da mesma avaliação.



