O balanço de 2025 terminou no vermelho para mais de 1,2 milhão de moradores de Mato Grosso do Sul. Ao longo de todo o ano, de janeiro a dezembro, o número de inadimplentes seguiu em alta, fechando o período com aproximadamente 1.257.626 pessoas com o nome negativado no Estado, conforme levantamento baseado em dados do setor.
O impacto é sentido diretamente na economia. O montante de recursos retidos em dívidas atrasadas cresceu de forma significativa: passou de R$ 7 bilhões em janeiro de 2025 para R$ 9,65 bilhões em dezembro. Na média anual, o valor chega a R$ 8,4 bilhões. Na prática, trata-se de um volume expressivo de dinheiro que deixou de circular, indicando que, mês a mês, uma parcela da população perdeu capacidade de honrar seus compromissos financeiros.
Quem são os sul-mato-grossenses endividados
Dados do Serasa traçam o perfil de quem está no vermelho no Estado. Os homens concentram a maior parte das dívidas, representando 52,3% dos inadimplentes. Em relação à idade, o grupo mais afetado é o de pessoas entre 41 e 60 anos, que responde por 35,3% dos registros, seguido pela faixa de 26 a 40 anos.
O recorte evidencia que o endividamento atinge principalmente quem está em plena fase produtiva e inserido no mercado de trabalho.
Onde a dívida pesa mais
Campo Grande lidera o ranking estadual de inadimplência, com quase meio milhão de pessoas negativadas — são 490.438 registros. No interior, o cenário também preocupa. Dourados aparece na segunda posição, com mais de 105 mil devedores, seguida por Três Lagoas e Corumbá.
A concentração das dívidas nessas cidades reforça que diferentes setores da economia, do agronegócio à indústria, têm enfrentado aumento nos custos e pressão sobre os orçamentos familiares.
Tentativa de virar o ano com o nome limpo
Mesmo diante do cenário adverso, o fim de 2025 foi marcado por uma corrida para regularizar pendências financeiras. Somente em dezembro, cerca de 48 mil consumidores procuraram a Serasa para renegociar suas dívidas.
No último mês do ano, foram fechadas mais de 83 mil negociações. Para muitos, a iniciativa representou uma tentativa de aliviar o orçamento e recuperar o crédito, em um Estado onde a dívida média por inadimplente já supera R$ 7,6 mil.



