O mês de agosto é marcado pelo início dos pagamentos dos auxílios emergenciais aprovados pelo Congresso Nacional na esteira da crise econômica. 

Somados todos os benefícios pagos pelo governo federal e aquele ofertado pela gestão estadual, são mais de R$ 151 milhões injetados na economia de Mato Grosso do Sul neste mês.

Para os especialistas ouvidos pelo Correio do Estado, o montante pago às famílias de baixa renda movimenta principalmente o comércio de bairro. 

O ponto negativo destacado é que a movimentação do consumo pode resultar em inflação acentuada.  

A proposta de emenda à Constituição conhecida como PEC dos Benefícios disponibiliza neste mês, só com o pagamento da parcela do Auxílio Brasil, R$ 119,806 milhões na economia. Ao todo, 197.808 famílias têm acesso ao benefício no Estado em agosto, conforme os dados do Ministério da Cidadania.  

Outro que já está sendo pago neste mês é o auxílio a taxistas. O Ministério do Trabalho e Previdência informou à reportagem que 1.193 profissionais receberam as duas primeiras parcelas do benefício no Estado, totalizando um valor de R$ 2,386 milhões.  

Há, ainda, o benefício disponibilizado aos caminhoneiros, mas os dados não foram detalhados por nenhuma das entidades consultadas. “O Ministério do Trabalho e Previdência não dispõe de dados regionais do Benefício Caminhoneiro”, informou em nota.  

Além dos benefícios já citados, 46.691 pessoas em MS têm acesso ao auxílio gás, que é entregue a cada dois meses desde novembro de 2021. Em agosto, com a cota média dobrada para R$ 110, o Ministério da Cidadania informa ter gasto R$ 5,136 milhões em MS.  

Completando os benefícios públicos está o Mais Social, programa do governo do Estado que beneficia 80 mil famílias. 

Cada uma recebe R$ 300 por mês, o que resulta em um pagamento médio de R$ 24 milhões mensais. Ao ano, a administração gasta R$ 312 milhões com o programa, que prevê o pagamento de um 13º salário para os beneficiários.  

A inserção requer que o indivíduo seja inscrito no CadÚnico, o mesmo necessário para a participação no programa nacional. 

“Após esse processo, a família recebe visita de agentes fiscalizadores que verificam a situação socioeconômica e confirmam a necessidade de recebimento”, informou a Secretaria de Estado de Direitos Humanos, Assistência Social e Trabalho (Sedhast).

IMPACTO

Conforme o doutor em Economia Michel Constantino, programas como o auxílio Brasil e os demais benefícios são importantes para a manutenção do bem-estar entre as famílias de renda mais baixa.  

“Para a economia, o auxílio tem forte impacto local, aumentando o fluxo do comércio dos bairros e elevando emprego e renda”.  

O especialista afirma que a economia local é um dos pilares da economia nacional, e que, ao elevar a renda e o bem-estar das famílias, gera impacto positivo local e nacional.  

Conforme adiantou o Correio do Estado na edição do dia 12 de agosto, Mato Grosso do Sul terá o segundo maior crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2022. 

De acordo com o levantamento realizado pela Tendência Consultoria, a expansão do agronegócio e a agroindustrialização puxam o crescimento, que chegará a 4,6% neste ano.  

A PEC dos Benefícios aumentou o valor médio dos auxílios em quase R$ 200 em Mato Grosso do Sul. De acordo com o economista Fábio Nogueira, mesmo com valores altos despendidos para o pagamento dos benefícios, o impacto na inflação deve ser pequeno.

“Como temos uma inflação mais de custo do que de demanda, pois o diesel não aliviou tanto o transporte, considera-se um impacto pequeno na inflação, ou quase nulo, referente ao aumento do gasto das famílias beneficiadas”, explica.  

Para Fábio, o auxílio aos caminhoneiros pode causar algum efeito na produção. “O que está encarecendo parte dos produtos é o transporte, em decorrência de o preço do diesel não estar cedendo no mesmo nível dos outros combustíveis, neste caso, parte de seu frete pode ter um valor menor”, pondera.

O mestre em Economia Eugênio Pavão discorda do colega e considera a inflação como um possível ponto negativo das medidas do governo. “Impacto negativo é o aumento da inflação e dos gastos públicos, que vão obrigar o governo a utilizar instrumentos de política monetária [alta dos juros], e reduzir as despesas [política fiscal] tirando o dinamismo obtido com os gastos públicos”, analisa.  

Na opinião dele, essa política fiscal de injetar valor em grupos específicos tem um propósito bem claro, pelo fato de serem determinados os pagamentos até dezembro deste ano.  

“Para combater as consequências da crise de preços, os auxílios são feitos para reduzir as consequências do desemprego e da pobreza, bem como dinamizar a área de transporte, com subsídios para motoristas profissionais [exceto motoristas de aplicativos]”, argumenta.  

FINANCIAMENTO

Para poder arcar com os gastos, o governo federal estimulou as empresas mistas nas quais é acionista majoritário a anteciparem dividendos à base societária. 

Só de proventos da Petrobras, a União recebeu R$ 17,9 bilhões na última rodada de distribuição, referentes ao segundo trimestre de lucros da empresa. Até julho, o valor embolsado em 2022 é de R$ 32 bilhões, se contabilizados os lucros do primeiro trimestre.  

Os valores serão depositados para os acionistas em duas partes: a primeira em 31 de agosto e no dia 20 de setembro. Com a adição das participações no BNDES, Vale, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal, a União deve receber mais de R$ 40 bilhões.

Na semana passada, o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) divulgou um estudo que aponta que a cada mil famílias incluídas no programa Auxílio Brasil foram gerados 365 novos empregos, e 33% dos empregos formais foram criados em municípios com menos de 100 mil habitantes.  

“Ao se considerar os municípios com taxa de informalidade da mão de obra superior a 40%, verifica-se que 21% dos novos empregos foram criados nessas localidades”, afirma a nota.  

Crédito: Correio do Estado por