Com a aproximação das festas de dezembro, o varejo de Mato Grosso do Sul se prepara para um período de maior movimento, ainda que marcado por cautela. Segundo levantamento do IPF-MS (Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento da Fecomércio-MS), em parceria com o Sebrae-MS, a expectativa é de que os consumidores injetem R$ 824 milhões na economia estadual durante o Natal e o Ano Novo.
A pesquisa ouviu 1.982 pessoas entre 3 e 13 de novembro, em Campo Grande, Dourados, Ponta Porã, Coxim, Bonito, Corumbá/Ladário e Três Lagoas. A margem de erro varia entre 5% e 6%, com nível de confiança de 95%.
O estudo mostra retração no volume total de gastos: o montante projetado representa queda de 38% em relação ao ano anterior. O recuo é atribuído ao orçamento mais enxuto das famílias e ao ambiente econômico menos favorável. Dos R$ 824 milhões previstos, R$ 226 milhões devem ser direcionados à compra de presentes, R$ 243 milhões às comemorações natalinas e R$ 354 milhões às festas de Réveillon.
Gasto menor no Natal e ligeiro aumento no Ano Novo
Em Mato Grosso do Sul, 69% afirmam que pretendem comprar presentes neste fim de ano, com tíquete médio estimado em R$ 217,36 — valor abaixo do registrado em anos anteriores. Entre os itens preferidos aparecem brinquedos, roupas, eletrônicos e itens de beleza.
Entre os que não vão às compras, prevalecem razões financeiras, como falta de dinheiro e insegurança para assumir despesas extras.
A pesquisa também revela preferência pelas lojas físicas: 66% dos entrevistados planejam comprar presencialmente, principalmente no centro da cidade e em shoppings.
No Natal, 78% pretendem celebrar, com gasto médio de R$ 206,35, sobretudo com ceias feitas em casa e encontros com familiares. Para o Ano Novo, o índice é ainda maior: 80% dos participantes planejam comemorar, destinando cerca de R$ 294,19 para alimentação e reuniões familiares. Viagens estão nos planos de 32% — sendo 20% no Réveillon, 7% no Natal e 5% nas duas datas — e a maioria, 64%, permanecerá dentro do Estado.
13º salário será usado principalmente para quitar contas
O estudo aponta que o fim de ano também será marcado por planejamento financeiro. Cerca de 63% dos consumidores pretendem usar o 13º salário para economizar, pagar contas ou cobrir despesas de início de ano. Apenas 11% devem empregar o recurso diretamente nas celebrações de Natal e Ano Novo.
Para a economista do IPF-MS e coordenadora da pesquisa, Regiane Dedé de Oliveira, o comportamento indica um consumidor mais criterioso:
“Vemos um público que tenta equilibrar as finanças, mantendo as tradições, mas fazendo escolhas mais racionais. O comércio precisa estar atento a ofertas competitivas e a um atendimento que realmente agregue valor.”
O analista-técnico do Sebrae-MS, Paulo Maciel, reforça que qualidade segue como principal fator de decisão:
“A maioria, 55%, prioriza a qualidade do produto. Além disso, 45% pretende presentear os filhos, principalmente com brinquedos e roupas. A compra presencial continua sendo a favorita, e muitos consumidores buscam vantagens no pagamento à vista.”
Ele destaca ainda que as festas devem ser mais intimistas:
“Tanto no Natal quanto no Ano Novo, as comemorações tendem a reunir familiares e amigos próximos. E o 13º salário seguirá majoritariamente para organização financeira: 22% vão poupar e 17% devem usá-lo para quitar contas, enquanto apenas 11% pretendem destiná-lo às festividades.”



