Em setembro de 2025, Campo Grande se destacou negativamente no cenário nacional ao registrar o maior aumento no custo da cesta básica entre as capitais brasileiras. O valor médio chegou a R$ 780,67, alta de 1,55% em relação a agosto, segundo levantamento conjunto do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) e da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento). O resultado vai na contramão da tendência observada em 22 das 27 capitais, onde os preços apresentaram queda.
O aumento reflete diretamente no orçamento das famílias. Um trabalhador que recebe o salário mínimo de R$ 1.518,00 precisou dedicar 113 horas e 8 minutos de trabalho apenas para comprar os itens da cesta, contra 111 horas e 25 minutos em agosto. Considerando o salário líquido — já com o desconto de 7,5% da Previdência Social —, 55,60% da renda foi comprometida em setembro, ante 54,75% no mês anterior.
Na comparação com setembro de 2024, o custo da cesta acumula alta de 9,24% na capital sul-mato-grossense, e no acumulado de 2025, a elevação é de 1,34%. Entre os 13 produtos analisados, cinco tiveram redução de preço, com destaque para batata (-6,96%), arroz agulhinha (-4,75%) e açúcar cristal (-4,00%). Já outros oito itens ficaram mais caros, principalmente banana (8,84%), óleo de soja (4,46%) e café em pó (4,32%).
Enquanto Campo Grande viu os preços subirem, outras capitais registraram as maiores quedas, como Fortaleza (-6,31%), Palmas (-5,91%), Rio Branco (-3,16%), São Luís (-3,15%) e Teresina (-2,63%). No conjunto das 27 cidades pesquisadas, o tempo médio de trabalho necessário para adquirir a cesta básica caiu de 101 horas e 31 minutos para 99 horas e 53 minutos, e o percentual da renda comprometido ficou em 49,09%.
A pesquisa nacional da cesta básica, feita mensalmente pelo Dieese e pela Conab, monitora os preços de alimentos essenciais como arroz, feijão, carne, leite, pão e óleo. O estudo serve de base para o acompanhamento da Política Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional e da Política Nacional de Abastecimento Alimentar. Em setembro, o levantamento evidenciou o desafio enfrentado por Campo Grande, onde a alta de preços pressiona ainda mais o custo de vida dos trabalhadores.



