Os bancários de todo país, inclusive de Campo Grande e região, vão paralisar suas atividades por 24 horas nesta quinta-feira, dia 20 de agosto. A decisão foi aprovada em assembleia realizada no último dia 17 e busca pressionar os bancos a apresentarem uma proposta de reajuste salarial digno e melhores condições de trabalho.

A categoria bancária está em negociação com a Federação dos Bancos (Fenaban) desde 02 de julho e, mesmo depois de um mês, nenhuma proposta salarial foi apresentada pelas instituições financeiras.

A categoria reivindica aumento real de salários e benefícios, o fim do assédio e da sobrecarga de trabalho com novas contratações e o fim do fechamento de agências, e a garantia da igualdade de oportunidades com foco na inclusão de diversidades e na inserção de mulheres na área de TI.

As reivindicações contrastam com os números do setor. Em 2025, os bancos lucraram R$ 171 bilhões, dos quais R$ 124 bilhões concentraram-se nos cinco maiores bancos do país, totalizando um patrimônio líquido de R$ 1,2 trilhão.

“Os dados não mentem: com lucros nas alturas, os bancos têm todas as condições de atender às reivindicações da categoria. Esses resultados recordes são fruto do trabalho duro dos bancários e bancárias, que exigem e merecem valorização com ganho real nesta campanha salarial”, disse a presidenta do Sindicato dos Bancários de Campo Grande-MS e Região, Neide Rodrigues.

Até o momento, as instituições financeiras sinalizaram apenas com propostas que retiram direitos e atacam a unidade da categoria, como um modelo de reajuste diferenciado em três faixas salariais e o congelamento do piso de ingresso.

A mobilização da categoria também defende melhores condições de trabalho, ponto que impacta diretamente o atendimento prestado à população. Mesmo com lucros bilionários, o desmonte do setor avança:

-O número de agências despencou de 22.786 em 2015 para 13.291 em 2026 (uma redução de 42% da rede);
-Nos bancos privados, o fechamento foi ainda mais drástico: 60%;
-Somente entre janeiro e maio de 2026, 941 agências encerraram suas atividades.
-Desde 2025, o setor bancário acumula o fechamento de cerca de 93,3 mil postos de trabalho.

Hoje, 2.649 municípios brasileiros, quase metade do país (48%), não possuem sequer uma agência bancária, seja pública ou privada. Esse cenário aprofunda a exclusão financeira e penaliza diretamente idosos, pessoas de baixa renda e pequenos comerciantes, que dependem do suporte presencial e enfrentam mais dificuldades para acessar crédito.