O projeto “Elas Constroem” iniciou uma nova etapa de capacitação profissional para mulheres interessadas em atuar na construção civil. A aula inaugural das novas turmas foi realizada no dia 7 de março, na Escola da Construção do Senai, em Campo Grande, reunindo alunas, representantes de instituições parceiras e lideranças do setor.
Promovida pelo Sinduscon-MS em parceria com a CBIC, o SENAI, a Secretaria Municipal da Mulher (Semu), o Sintracom-CG, a iniciativa integra o programa Construindo Talentos e tem como objetivo ampliar a participação feminina na construção civil por meio da qualificação profissional, geração de oportunidades de trabalho e incentivo à autonomia financeira.
Nesta nova etapa, estão sendo oferecidos gratuitamente os cursos de Pedreiro(a) de Alvenaria (160h), Assentador(a) de Revestimento Cerâmico (160h), Operador(a) de BobCat + NR18 (40h) e Orçamento de Obras (40h). As aulas combinam conteúdo teórico on-line com atividades práticas realizadas na Escola da Construção do SENAI, por meio da metodologia “Aprendendo a Construir”.
De acordo com a superintendente do Sinduscon-MS, Kely de Paula, a procura pelas vagas demonstra o interesse das mulheres em ingressar no setor. “Mesmo sendo a segunda turma, tivemos cerca de 270 pré-inscrições e selecionamos 93 participantes. Isso mostra que existe demanda tanto de mulheres que querem se qualificar quanto das empresas que precisam de profissionais. Nosso principal objetivo é preparar essas mulheres e ajudá-las a ingressar no mercado de trabalho”, afirma.
Para a diretora da unidade de negócios da Plaenge em Campo Grande, Valéria Gabas, o projeto representa uma alternativa importante para ampliar o número de profissionais no setor. “A construção civil ainda tem muito espaço para a participação feminina. As mulheres trazem atenção aos detalhes e cuidado no trabalho, e têm se mostrado muito eficientes em diversas funções, inclusive na operação de máquinas”, destaca.
O gerente da Faculdade Senai da Construção, Plínio Gratão, reforça que a iniciativa vai além da qualificação técnica. “Mais do que capacitar, o projeto cria uma rede de apoio e um ambiente seguro para que as mulheres possam ingressar no setor. A alta procura mostra que a iniciativa deu certo e que há espaço para ampliar ainda mais essa participação”, pontua.
A secretária executiva da Mulher, Angélica Fontanari, ressalta que iniciativas como essa ajudam a transformar políticas públicas em oportunidades reais. “Quando diferentes instituições se unem em um projeto como o ‘Elas Constroem’, conseguimos levar capacitação e oportunidades para mulheres que muitas vezes só precisavam de uma chance para mostrar seu talento”, afirma.
Para o presidente do Sintracom-CG e da Fetricom-MS, José Abelha Neto, a iniciativa também contribui para quebrar paradigmas históricos do setor. “A construção civil sempre foi vista como um espaço masculino, mas isso vem mudando. A presença das mulheres traz novas perspectivas e também ajuda a suprir a falta de mão de obra qualificada no setor”, avalia.
O analista técnico do Sebrae/MS, Gilmar Rossetto, destaca ainda que a formação abre portas não apenas para o emprego formal, mas também para o empreendedorismo. “A mulher que se qualifica pode trabalhar como empregada, mas também pode empreender, abrir um MEI, prestar serviços e até criar seu próprio negócio. O Sebrae está preparado para orientar e apoiar esse caminho”, explica.
A primeira etapa do projeto já havia qualificado 40 mulheres, demonstrando o impacto positivo da iniciativa tanto na transformação de vidas quanto no fortalecimento da mão de obra no setor da construção civil em Mato Grosso do Sul.
Da qualificação ao mercado de trabalho
Projeto abre portas e transforma trajetórias profissionais
Um exemplo do impacto do projeto é a história de Rosa Maria Figueiredo, que participou da primeira turma do “Elas Constroem” e hoje trabalha como pintora na construção civil.
Segundo ela, a oportunidade surgiu a partir da necessidade de aprender uma nova habilidade e acabou se transformando em profissão. “Eu era autônoma e nunca tinha trabalhado na construção. Fiz o curso e, logo depois da formatura, recebi três propostas de trabalho e escolhi a Plaenge. Foi uma experiência completamente nova para mim”, conta.
Mãe solo, Rosa afirma que a capacitação mudou sua perspectiva profissional. “Eu nem me imaginava trabalhando na construção civil. Hoje vejo que é possível e que essa é uma oportunidade fantástica para muitas mulheres”, destaca.




