Temperaturas elevadas, oscilações no volume de chuvas, alta incidência de radiação solar e uma redução expressiva no número de queimadas compõem o panorama ambiental de Mato Grosso do Sul revelado pelo painel Cidadania em Números, do Observatório da Cidadania. A plataforma reúne séries históricas de indicadores de temperatura média, umidade relativa do ar, precipitação acumulada, radiação solar e focos de queimadas, permitindo acompanhar as transformações climáticas registradas no Estado e subsidiar pesquisas, políticas públicas e a tomada de decisões baseada em evidências.

As informações são consolidadas a partir de uma rede de estações meteorológicas e de imagens de satélite distribuídas pelo território sul-mato-grossense. O conjunto de dados evidencia mudanças no clima ao longo dos últimos anos e oferece um panorama atualizado das condições ambientais em Mato Grosso do Sul.

Calor segue estável e elevado

Nos últimos 12 anos, o estado registrou temperatura média de 24,62 °C. Nesse período, 2024 apresentou a maior média anual, de 25,44 °C, enquanto 2016 registrou a menor, de 23,98 °C. Em 2025, a temperatura média foi de 24,27 °C.


Entre os municípios onde as estações meteorológicas medem, a cidade com a maior temperatura em 2025 foi Jardim, com 27,18 °C, seguida de Juti, com 26,73 °C, e de Corumbá, com 26,48 °C.As menores foram registradas em Sete Quedas (21,55 °C), Ponta Porã (21,72 °C) e Amambai (21,77 °C). Em Campo Grande, a temperatura média de 2025 foi de 24,10 °C.Chuvas e umidade relativa do ar

A série histórica apresenta a precipitação acumulada ao longo de oito anos, de2018 a 2025. O ano mais seco em Mato Grosso do Sul foi 2024, com 950,36 mm de chuva, e o mais chuvoso foi 2018, com 1.368,64 mm. Mato Grosso do Sul manteve uma umidade do ar média de89,98%entre os anos apresentados pelo painel, considerada extremamente alta, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS). Em 2025, a precipitação acumulada foi de1.044,29 mme a umidade do ar ficou na média de89,84%.Entre os municípios, Maracaju foi onde menos choveu em 2025, com um acumulado de 430,6 mm, e o oposto foi registrado em Sete Quedas, com acúmulo de 1.660,8 mm, local que também alcançou a maior média de umidade do ar (75,47%), a menor foi em Jardim (57,76%).Em Campo Grande, a quantidade de chuva acumulada foi de1.202 mm com umidade média do ar de 62,55%.

Radiação Solar

O indicador mede a quantidade de energia térmica emitida pelo sol que incide sobre uma área de um metro quadrado em uma hora.


Em 2025, a cidade com maior radiação média foi Chapadão do Sul com 1.586,33 kJ/h.m² e Ponta Porã com o menor valor, 711,84 kJ/h.m². Campo Grande registrou 790,99 kJ/h.m².

Focos de queimadas

O painel também reúne informações sobre os focos de queimadas, um dos principais indicadores do monitoramento ambiental em Mato Grosso do Sul.Historicamente, o monitoramento mostra oscilações acentuadas na última década, com picos acima de 11 mil focos em 2019 e 2020 e vales abaixo de 2.500 em 2018 e 2022.De 2024 para 2025, dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) revelam uma redução expressiva no número de queimadas no estado. Em 2025, foram registrados 1.844 focos, o menor patamar dos últimos onze anos. O índice representa uma queda de85,86%em comparação a 2024, quando o estado viveu um pico crítico com13.041 focos.


Apesar da retração geral, a distribuição geográfica do fogo mostra que os problemas persistem concentrados na região pantaneira. O município de Corumbá lidera o ranking estadualao longo detodo o período da série histórica. Em 2025, o município contabilizou 354 focos, o equivalente a 19,20% de todos os registros do estado . Em 2024, o percentual era de41,19%do total em áreas corumbaenses.

Além das séries históricas, o painel apresenta um mapa das estações meteorológicas distribuídas em Mato Grosso do Sul, permitindo visualizar a abrangência da rede utilizada no monitoramento dos indicadores climáticos.

Segundo a coordenação do Observatório da Cidadania, a disponibilização desses dados fortalece a transparência e amplia o acesso da população a informações estratégicas sobre as condições ambientais do Estado. “Informação ambiental de qualidade é um direito do cidadão. Pensa num produtor rural que abre o painel e vê, em poucos cliques, como o clima do município dele mudou nos últimos anos. E o gestor municipal decide melhor com o mesmo dado na tela. Para nós, cidadania ativa é isso: dar às pessoas informações e ferramentas que antes só especialistas tinham acesso”, afirma o coordenador do Observatório da Cidadania, professor Samuel Oliveira.

O painel Cidadania em Números também reúne indicadores de diferentes áreas, como população, saúde, educação e economia, consolidando informações provenientes de bases oficiais em um ambiente único, gratuito e de fácil acesso.

Para conferir as informações, acesse:https://observatoriodacidadania.ufms.br/cidadania-em-numeros/

Sobre o OCMS -Criado em 2024, o Observatório da Cidadania de Mato Grosso do Sul é um programa da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) em parceria com a Secretaria de Estado da Cidadania (SEC/MS) e com o apoio da FUNDECT. Reunindo uma equipe multidisciplinar com ampla experiência em pesquisa científica, inovação, sustentabilidade e tecnologias aplicadas, o Observatório tem como missão fortalecer a cidadania ativa, promovendo o acesso a dados, a disseminação de informações qualificadas e a realização de ações estratégicas que contribuam para o desenvolvimento do Estado.

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