As picadas de inseto e arranhões pelo corpo deixaram marcas dos momentos de desespero vividos por Ludmilla e a filha Kyara, de três anos.

Nos três dias que passou perdida na mata, a menina bebeu água de poças e se alimentou de frutinhas que a mãe pegou pelo chão. Ludmilla chora ao se lembrar do pesadelo.

“É muito, é emocionante de pensar que passei por isso tudo e tá aqui... Foi ruim, muito ruim... Eu vi o risco que eu estava passando quando já tinham me achado, que eu estava pensando só em proteger ela, não estava pensando em nada mais. Eu pensei que eu não ia sair de lá mais, que eu não ia ver mais ninguém, que eu ia morrer”, conta.

Mãe e filha se perderam em uma região de cerrado, na sexta-feira, dia 9 de setembro. Uma área distante da cidade, com árvores, mato alto, e encostas. Uma temperatura que, durante o dia, passa dos 30 graus.

Ludmilla, o namorado e a filha dela tinham saído de Ribeirão das Neves, na região metropolitana de Belo Horizonte, para visitar a família, que vive em Morada Nova de Minas.

O carro começou a apresentar problemas cerca de 300 quilômetros depois, quando eles passavam por um desvio, durante a madrugada. A equipe do Fantástico refez o mesmo trajeto durante o dia. Uma estrada cheia de buracos, barrancos e muita poeira.

Em um ponto de subida na estrada, o carro estragou de vez. O dia já tinha amanhecido. Sem sinal de celular e sem saber onde estavam, Walter e Ludmilla decidiram esperar. Aí passou um carro. E eles conversaram com as pessoas. Pediram que avisassem a mãe da Ludmilla quando chegassem na cidade. Mas ninguém mais apareceu.

Aí a Ludmilla tomou uma decisão: subiu com a filha Kyara e saiu caminhando. O namorado dela ficou no carro. Mãe e filha só foram encontradas três dias depois.

Ludmilla: Não sabia para onde que eu estava indo. Só estava indo. Eu caminhava, não parava não, parava só a noite.
Fantástico: Como é que você tomava água?
Ludmilla: Nas rochas, né. Tem várias rochas, aí eu bebi água das rochas.

Ludmilla encontrou um pedaço de madeira e usou para andar na mata. Ela diz que teve medo.

Fantástico: O que você viu?
Ludmilla: Muita pegada de onça, desse tamanho assim. Lá pra dentro afora, muitas pegadas.

O namorado da Ludmilla chegou a ir atrás dela e da Kyara, mas as duas já tinham sumido. Ele saiu caminhando pela estrada e conseguiu pedir socorro em uma casa.

As buscas começaram imediatamente. Foram três dias de muita preocupação e trabalho para as equipes. O resgate está registrado nas imagens da Polícia Militar. Ludmilla e Kyara foram carregadas até um helicóptero da PM às margens da represa de Três Marias. E pousaram num campo de futebol.

Depois do susto, Ludmilla descansa na casa da mãe. E a Kyara, que agora só quer brincar, virou o xodó de todo mundo. Veja a reportagem completa no vídeo acima.

Crédito: G1 por Fantástico