O Ministério Público do Distrito Federal (MPDFT) solicitou às forças policiais do DF informações sobre a atuação antes e durante os ataques terroristas às sedes dos três poderes, em Brasília, neste domingo (8). Bolsonaristas radicais causaram destruição nos prédios e ao patrimônio público.
Entre os dados solicitados estão o quantitativo de policiais empregados na operação, quais as estratégias adotadas e qual o momento da constatação da adoção de atos extremistas, além das medidas preventivas para coibi-los.
Segundo o MPDFT, se houver qualquer indício de irregularidade na atuação de qualquer uma das forças policiais, civil ou militar, o órgão vai abrir investigação para apurar fatos e responsabilidades. Questionada sobre o pedido, a Secretaria de Segurança Pública não tinha se manifestado até a última atualização desta reportagem.
O MP também anunciou a criação de um canal específico de comunicação para receber denúncias relativas aos ataques. Quem tiver vídeos, fotos ou qualquer conteúdo que contribua para as investigações, no âmbito local, poderá encaminhar por meio do e-mail falecom@mpdft.mp.br.
O órgão afirma que promotores de Justiça foram designados para acompanhar pessoalmente o trabalho realizado pelas polícias civil e militar, na Esplanada dos Ministérios, no Departamento de Polícia Especializada e na Direção-Geral da Polícia Civil.
"No decorrer da semana, esse acompanhamento continuará sendo feito pelo Núcleo de Investigação e Controle Externo da Atividade Policial e pelas promotorias de Justiça criminais e militares", diz o MPDFT.
Segurança no DF
Desde domingo, por determinação do presidente Lula (PT), foi decretada intervenção federal na segurança pública do DF. Na prática, a medida significa que as ações na área ficarão a cargo do governo federal. O interventor escolhido para o cargo é Ricardo Cappelli.
A atuação da PM durante os ataques foi alvo de críticas. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou a dizer que "houve incompetência, má vontade ou má-fé" por parte da corporação.
Imagens mostram policiais escoltando os bolsonaristas radicais até a Esplanada dos Ministérios e também conversando com manifestantes. A corporação ainda não se manifestou sobre as críticas.
Em nota, o Sindicato dos Policiais Civis do DF (Sinpol-DF) afirmou que está "trabalhando ininterruptamente nas investigações para descobrir os responsáveis pelos crimes ocorridos neste domingo".
"A corporação vem atuando desde o dia 12 de dezembro contra atos de vandalismo no DF: prendeu em flagrante o autor da tentativa de atentado contra as instalações do aeroporto de Brasília e identificou e prendeu responsáveis pelos atos criminosos ocorridos no dia 12 de dezembro. Agora, o efetivo também atuará na identificação e prisão dos autores, mandantes e financiadores dos crimes ocorridos no último domingo", diz o texto.
Resumo dos ataques
- Bolsonaristas terroristas invadiram e depredaram o Palácio do Planalto, o Congresso e o STF. Veja fotos de quem participou da destruição.
- O movimento golpista que ocorre há semanas em Brasília foi engrossado por dezenas de ônibus que chegaram no fim de semana.
- Apesar disso, a PM do DF mantinha poucos homens no local e não conseguiu frear os terroristas. A polícia foi criticada e acusada de omissão.
- Obras de arte e móveis foram quebrados no palácio presidencial. O plenário do STF ficou destruído. Veja FOTOS e VÍDEOS da barbárie.
- Lula decretou intervenção federal para assumir a segurança do DF, e o governo pediu a prisão do bolsonarista Anderson Torres, que respondia pela segurança em Brasília.
- O ministro do STF Alexandre de Moraes determinou o afastamento do governador Ibaneis Rocha (MDB) por, pelo menos, 90 dias. Quem assume o cargo é a vice, Celina Leão (PP).
Crédito: g1




